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Incêndios Florestais a Tragédia Nacional

Incêndios Florestais a Tragédia Nacional

Em 30 de Setembro de 2016 o Bloco de Esquerda apresentou na Assembleia Municipal uma moção intitulada “Moção em defesa da prevenção estrutural do território e da diminuição da área ardida nos incêndios”, moção esta que foi reprovada pela maioria PCP/PEV. É infelizmente esta a atitude perante um problema que é um desígnio nacional que vemos nos nossos governantes tanto locais como nacionais. Agora não será talvez o tempo de acusações, mas não nos podemos esquecer da responsabilização e neste momento perante uma tragédia tão gigantesca não podemos ficar calados.

Transcrevo aqui algumas das passagem da referida moção tendo desde já a noção que já tudo foi dito, que devemos passar das palavras aos atos e que hoje já é tarde, muito tarde para as vidas que se foram e para os que perderam familiares, amigos e bens de uma vida.

Os governos gastam, anualmente, 74 milhões de euros no combate aos incêndios florestais. Mas, o mesmo governo gasta anualmente em prevenção 24 milhões. No total gasta-se com os incêndios, um total de 94 milhões de euros, para além de todos os outros gastos diretos e indiretos. Não somamos a isto os custos para a economia com a perda do valor das áreas florestais, os custos em perdas de solos, que sem a floresta irão ser arrastados para os rios com as chuvas no inverno. Não seria melhor invertermos esta lógica? Não seria melhor investir mais em PREVENÇÃO, para limitar a devastação florestal, ecológica, humana, habitacional, económica e social… causada pelos incêndios? Certamente que sim, pois esse caminho é defendido por técnicos e profissionais ligados à área florestal. Este caminho não é um caminho de curto prazo, nem um caminho fácil. Este percurso já palmilhado por muitos países europeus com resultados evidentes, basta comparar os dados de Portugal com os outros países do sul da Europa. É preciso começar agora, pois na gestão florestal o tempo não se mede em anos, mas em décadas! E o custo não se quantifica em €uros, mas sim em VIDAS!

O que foi dito na Assembleia Municipal vem sendo dito há décadas por técnicos, especialistas e outros profissionais que fazem da Floresta a sua vida. Infelizmente, chegamos a este ponto já nem é o valor da nossa floresta que conta é o valor da vida humana.

 

Texto publicado no jornal “O Setubalense”, outubro de 2016